Nos 125 anos da Ponte D. Luiz

A 31 de Outubro de 1886 foi inaugurado oficialmente o tabuleiro superior da Ponte Luiz I, conhecida entre os portuenses como Ponte D. Luis. O tabuleiro inferior apenas foi inaugurado em 1887.

Fora em 11 de Agosto de 1880 que se dera a abertura do concurso público para a concepção e construção de uma ponte que fizesse a ligação entre as duas margens do Douro aos dois níveis: junto ao rio e superiormente, entre as escarpas.
O tabuleiro inferior destinava-se a substituir a Ponte D. Maria II, inagurada em 1843 e popularmente chamada Ponte Pênsil mas que já não se adequada ao crescente tráfego entre as duas margens do rio.
O concurso para a nova ponte recebeu 12 propostas, vindo a ser escolhida a apresentada pela empresa belga Societé Willebroek com projecto de Teophile Seyrig que havia já trabalhado na cidade, no projecto da Ponte Maria Pia em 1877. A ponte D. Luis pesa 3045 toneladas e possui 2 tabuleiros com 8 metros de alegura cada um. O superior tem uma extensão de 355 metros e o inferior de 175 metros.

No seu piso superior, logo após a inauguração da ponte usava-se o americano puxado a mulas como transporte público, substituído anos mais tarde pelos eléctricos amarelos, que por sua vez vieram a dar lugar aos troleys, aos autocarros e presentemente ali circula em exclusivo o metro.
Durante muitos anos, até 1943 era a ponte portajada, chegando a usar-se um sistema de fichas próprias que eram também aceites como boa moeda em diversos estabelecimentos comerciais.

Reza uma lenda popular que a Ponte apenas se chama Ponte Luiz I e não Dom Luis por o rei não ter estado presente na sua inauguração, pelo que o povo assim chamara á ponte como «vingança» pela suposta falta de respeito. Bom, na verdade, a haver falta de respeito é pela verdade histórica como qualquer portuense sabe. Todos designam a ponte como de D. Luis embora na placa que encima a entrada do tabuleiro inferior não conste o Dom. Seria portanto o povo a dar essa consideração e não a tirá-la, pelo que morre logo aqui aquela tola  lenda.
E isso nada tem de inédito. Uma coisa é o oficial onde se respeitam os pergaminhos da cidade, outra o carinho  popular pelos visados.  Com efeito, a cidade do Porto, burguesa por vocação e nascimento, nunca fora muito dado a nobrezas e titulos nobliarquicos. Assim é que a ponte de caminho de ferro também é simplesmente Ponte Maria Pia, embora esta fosse a Rainha esposa de D. Luis I, ambos presentes na inaguração….E o bonito velódromo existente nas traseiras do Paço Real, actual Museu Soares dos Reis, era singelamente Velodromo Maria Amélia, sendo esta senhora não uma dama da vizinhança, mas a princesa consorte do então principe e futuro rei D. Carlos. Portanto, a tradição de não se designar e não constar  das placas de inaguração o Dom vinha já um pouco de trás. O que fica fica bem à história da cidade e se espera que não venha a um dia a claudicar perante algum  modernaço Prof. Dr…..

É a  D. Luís um dos ícones da cidade, com o seu ferro rendilhado, sendo fácil e universalmente reconhecida como a ponte do Porto.

Campo de Aviação

Às primeiras exibições de aviões na zona do Castelo do Queijo em 1912, outras iniciativas foram sucedendo ao longo dos anos, nomeadamente no campo de Espinho. Em 1929 surge o primeiro núcleo associativo, o «Núcleo do Norte do Aero Clube de Portugal» que veio a dar origem ao Aero Clube do Porto.
Visando a criação de um verdadeira pista de aviação, o clube adquiriu em 21 de Março de 1934 uns terrenos na freguesia da Senhora da Hora para a construção do Campo de Aviação do Porto. No entanto, tal pretensão foi prontamente chumbada pelas autoridades logo no mês seguinte. Ainda assim, tal campo foi palco de vários festivais de aviação e era utilizado com alguma frequência até à decisão construção definitiva do Campo de Aviação do Porto junto à localidade de Pedras Rubras em 1940.

in «A Cidade dos Transportes», por Mário João Mesquita, Porto, 2008 
Imagem (2010) googple maps. 
Na parte de baixo desta imagem é possível ver a rua da Preciosa (antiga rua de Pereiró), que cruza a Estrada da Circunvalação, podendo estabelecer-se que os terrenos do antigo «Campo de Aviação» ficavam sensivelmente em cima da actual Avenida AEP/Marechal Carmona e terrenos do hipermercado Continente.

Gondarém

Foto de Aurélio da Paz dos Reis

«Na Rua de Gondarém circulava o comboio conhecido como «a máquina», pertencente à Companhia Carris de Ferro do Porto, popularmente chamada de Companhia de Cima, com trajecto com início na Avenida da Boavista, seguindo para a Foz do Douro, Nevogilde e Matosinhos. Depois de deixar a Avenida da Boavista, o comboio seguia pela Ervilha, Rua das Sete Casas, Cadouços, onde existia uma toma-de-água para abastecer a caldeira da locomotiva, entrava no túnel (hoje transitável de automóvel) e continuava pela Rua de Gondarém.»