Convento de Monchique

Fotografia de 1862 (do Arquivo Municipal do Porto)
Bem visiveis ainda os vários edificios que compunham o Convento de Monchique (fundado em 1533).
Em primeiro plano as obras da construção da nova Alfandega (completada em 1865).
No canto superior esquerdo, a Capela de Carlos Alberto ( de 1854) e as obras nos terrenos do futuro Palácio de Cristal (1865)

A Escola Comercial Raúl dória

Foto in Ilustração Portuguesa, nº563, 4 de Dezembro de 1916
A Escola Comercial Raúl Doria fundada em 1902 e instalada na rua Gonçalo Cristovão desde 9 de Outubro de 1907, nos números 189 e 191, em terreno onde mais tarde foi construída a sede do Jornal de Notícias. Por o seu último andar ser recoberto de placas de ardósia, era conhecido como «Palacete das Lousas». 

Link: Biografia de Raúl Dória

O Velódromo Maria Amélia

Está certo: o velódromo que ainda existe no Porto situa-se nas traseiras do Museu Nacional Soares dos Reis.

O Velódromo foi construído na então «Quinta do Paço», nas traseiras do Paço Real situado na rua do Triunfo (actual D. Manuel II), propriedade do rei D. Carlos, que, aquando da sua estadia na cidade, por ocasião da «Comemorações Henriquinas» de 1894 disponibilizou esse terreno ao Velo Clube do Porto para ali construir um velódromo.
Tinha entrada lateral, pela rua do Pombal (actual Adolfo Casais Monteiro) e a pista tinha 333,33 metros de perímetro, sendo o segundo velódromo do país. O primeiro foi inaugurado em 1893, na Quinta de Salgueiros, pela Secção Velocipedista do Clube de Caçadores do Porto.
No jornal «O velocipedista», em 1895 escrevia-se:
«Real Velo Clube: Esta agremiação, tenciona inaugurar o seu velodromo, na quinta do Paço real d/esta cidade, que lhe foi concedida para esse fim por S. M. el-Rei, por ocasião das festas do centenário do Infante D. Henrique. O distinto engenheiro snr. Esteves Tomás, que é o segundo secretário do Club, já está levantando a respectiva planta da Quinta para esse efeito
Inaugurado em 1895 ali se realizaram muitas corridas e demonstrações desportivas, incluindo a primeira corrida de motorizada realizada em Portugal.
Na primeira década do século o entusiasmo velocipedista afrouxou, perdendo popularidade para outros desportos, como o nascente futebol.
Após a instauração da República e porque o Paço Real era propriedade privada do rei, esteve encerrado até 1932, quando, por falecimento de D. Manuel II este o legou à Santa Misericórdia do Porto. No entanto, o Estado entendeu em 1939 «nacionalizar» aquele edifício para ali instalar o espólio do Museu Municipal do Porto e do ex-Museu Portuense de Pinturas e Estampas, fundado em 1833.

De S. Domingos à Ribeira

«3ª fl. da Planta, entre a Porta Nobre e Caes d’Alfandega,
levantado por J. V. Corrêa em 1859»,
Junta Autónoma de Estradas, Direcção de Estradas do Porto, Arquivo Distrital do Porto
Uma interessante planta, que fazia parte de um conjunto de 3 folhas, mas da qual apenas se conhece esta, a qual cobre o espaço que vai do Largo de S. Domingos ao Cais da Alfandega (a velha) na ribeira do Douro. São bem visíveis os pormenores de cada rua, com a indicação dos espaços ocupados com edifícios, bem como todo o percurso da Rua de Congostas, a qual a partir de 1872 veio a ser alargada e transformada na parte sul da Rua de Mousinho da Silveira.
É ainda visível todo o espaço ocupado pelo «extincto convento de S. Domingos» com a indicação «parte em grande ruína», embora sem grande pormenores do edificado, à parte a zona sul da sua cerca.
De assinalar ainda que mesmo em frente à Associação Comercial do Porto, se desenhou um espaço rectangular, destinado a «Mercado em terreno pertencente à cerca do extinto convento de S. Domingos», tal como solicitado por aquela associação, mas que apenas em 1885 foi construído: o Mercado Ferreira Borges. Do projecto inicial que se vê nesta planta, veio a alterar-se a posição do mesmo: em vez de virado para a ACP, foi construído virado para o rio, mercê da sua construção tardia, pois que na altura já tinham sido demolidas as habitações que se situavam ao fundo da antiga cerca conventual e realizado o alinhamento da então «Rua Nova dos Ingleses», actual rua do Infante D. Henrique.

A instalação da Filial do Banco de Lisboa no Porto

Convento de S. Domingos
(Convento de Nossa Senhora dos Fiéis de Deus do Porto, 1238-1832),
visto do Largo de S. Domingos.
in «Edifícios do Porto em 1833», Álbum de desenhos de Joaquim Cardoso Vitória Vilanova,
Ed. Biblioteca Municipal do Porto, 1987;

«Com efeito, já no relatório da sua gerência sugeria aquela Direcção a utilidade que teria «o estabelecimento duma Caixa Filial no Porto», aludindo às informações recebidas, a tal respeito, «do seu empregado», isto é, de Joaquim Pereira Pinto, e apresentando mesmo um projecto de Regulamento onde se estabelecia o quadro do pessoal e suas obrigações, bem como a natureza dos negócios , que eram análogos aos da sede.
A Assembleia Geral aprovou essa proposta em 26 de Janeiro; a Direcção de 1825 deu-lhe andamento, e logo nos primeiros dias da segunda quinzena de Fevereiro, Joaquim Pereira Pinto, que andava em busca de casa onde pudesse instalar-se a Filial, tendo já visitado várias, dava favoravelmente notícia de «um quarto de casas no Convento de S. Domingos», que descobrira.
Passados dias, o parecer da Direcção oscilava entre essa instalação e a que poderia fazer-se na casa do fidalgo portuense José de Sousa e Melo, motivo por que recomendava, em 2 de Março, àquele seu emissário que examinasse também esta e soubesse condições, dizendo-lhe com argúcia que, visto ser oferente o proprietário, alegasse «ter outras casas já em palavra» para obter o mais baixo preço; dias depois, já a Direcção estava de posse de todos os elementos de apreciação, tanto os relativos à vantagem de localização como os de ordem financeira e podia formar o seu juízo: a casa de José de Sousa e Melo era espaçosa, porém menos central que o convento de S. Domingos; ambas essas possíveis instalações careciam de obras, mais dispendiosas quanto a este, de modo, que bem feitas as contas, o quantitativo da renda pedida pelos Dominicanos «unido com o capital despendido na obra e seu juro e amortização», perfazia um total equivalente à renda pedida pelo fidalgo. Mas este queria também o pagamento adiantado das rendas de 9 anos, e isto era de considerar, de modo que a Direcção acabou por incumbir ao seu emissário a tarefa de procurar obter de uma parte e da outra abaixamento da renda e de Sousa e Melo a desistência de um tão longo pagamento adiantado, «fazendo a cada um o jogo necessário para que abaixem»; além disso deveria apurar também com o maior cuidado qual o custo das obras necessárias, num e noutro caso, a fim de poder a Direcção decidir-se por uma destas duas possíveis instalações, e dar-se «princípio a este tão decantado negócio». Chegaram pouco depois as informações pedidas, e, como os frades tinham baixado a renda, a Direcção optou pelo aluguer da parte conventual visitada, ordenando em 26 de Março a celebração do contrato de arrendamento e enviando em 2 de Abril a necessária procuração.

Entretanto também a preparação administrativa da filial tivera começo. O Governo sancionara a deliberação da Assembleia Geral, expedindo em 16 de Março o alvará de aprovação da Filial, e no começo de Maio já o lugar de Tesoureiro do projectado estabelecimento estava prometido ao emissário Joaquim Pereira Pinto, embora a nomeação só viesse a efectivar-se oficialmente em 3 de Junho, conjuntamente com a dos três Administradores, do Guarda-Livros, de três Caixeiros, de dois Fiéis, do Cobrador, de dois Contínuos e do porteiro.

A Direcção tinha em mente realizar a abertura da Filial em 1 de Julho; e nesse sentido, repetidamente ordenou que se activassem as obras de adaptação da parte do convento de S. Domingos que alugara. Nos princípios de Julho, já os Administradores da Filial se achavam no Porto e realizavam algumas operações; (…)».

in História do Banco de Portugal (1821-1846), Damião Peres, 1971, Lisboa

Nota: A este Banco de Lisboa veio a suceder, por fusão com outras instituições, o Banco de Portugal, o qual, em 1865, adquiriu em hasta pública todo o edifício sobrevivente do antigo Convento de São Domingos, virado para o Largo do mesmo nome, ali funcionando aquele estabelecimento bancário até 1934 (perfazendo um total de 109 anos), quando então se mudou para as actuais instalações na Praça da Liberdade.

Os Tauródromos no Porto

Embora seja um tipo de espectáculo que se associa, por razões históricas, culturais e mesmo geográficas, ao sul de Portugal, as touradas também tiveram a sua época de ouro na cidade do Porto. É certo que nunca de forma tão entusiasta e popular que permitisse a sua continuidade por mais do que alguns poucos de anos. Mas ainda assim, ocasiões houve em que algumas praças, permanentes ou temporárias, tiveram ocasionalmente 6 ou mesmo 8 mil espectadores.
Horácio Marçal, no seu trabalho «Touradas, Toureiros e Tauródromos no Porto, em Gaia e em Matosinhos» (Separata do Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos, nº18, 1971, Matosinhos) faz o historial desses espectáculos tauromáquicos na cidade.

«A mais remota notícia acerca de touradas na cidade do Porto, pelo que sabemos, data de 24 de Junho do recuado ano de 1785, e refere-se a uma corrida de touros efectuada, com todo o esplendor, por ocasião das luzidas Festas Reais, em praça especialmente construída para o efeito no lugar da Torrinha, à estrada de Cedofeita (…)» assim relata o cronista, apaixonado aficionado, como se depreende do trabalho citado.
Uma outra corrida terá ocorrido oito depois, a 2 de Junho de 1793, num redondel construído no Campo de Santo Ovídio, actual Praça da República.
Não havendo mais notícias tauromáquicas durante umas dezenas de anos, apenas em 1869 há registo de a 19 de Agosto desse ano a Câmara Municipal do Porto ter autorizado a Raimundo dos Santos Natividade a aquisição de uns terrenos em Cadouços, na Foz (provavelmente no actual Largo do Capitão Pinheiro Torres), para implantação de uma praça de touros. Embora o recinto estivesse ainda em construção, a primeira tourada ocorreu logo a 24 de Agosto, com grande sucesso de público. Mas tal recinto, que ainda viu mais alguns espectáculos, não durou mais do que 3 anos.
O mesmo proprietário, a 7 de Fevereiro do ano seguinte (1870) requere autorização para a construção de uma praça de touros a nascente do Largo da Aguardente (actual Praça do Marques de Pombal) , onde se vieram a efectuar algumas corridas.
Um outro empresário, José Moreira Matos dá início, a 26 de Janeiro de 1870 à construção de uma recinto na Avenida da Boavista, à esquerda do Hospital Militar, a qual foi inaugurada a 25 de Março desse mesmo ano.
Passados uns anos, e apesar do insucesso dessas iniciativas, novo surto tauromáquico surge, com o empresário de ourivesaria Lopes Pereira e Joaquim Vieira Guimarães que fundam a Empresa Coelho Pereira & Magalhães para a construção de uma praça de touros designada «Coliseu Portuense» (na imagem) a qual veio a obter a designação de «Real» aquando as Comemorações Henriquinas, em 1894.
Situava-se esta praça entre o Cemitério de Agramonte e a Rotunda da Boavista, ao lado do Tabernáculo Baptista e foi inaugurada a 28 de Agosto de 1889. Durante alguns anos, ali se fizeram várias corridas, com algum sucesso, nomeadamente aquela que contou com a presença dos rei D. Carlos e os príncipes reais em 1894. Mas o entusiasmo não foi duradouro e o recinto veio a ser palco de espectáculos circenses e demonstrações de natação, tendo mesmo sido construído um enorme tanque na zona central do recinto. Com o avultar dos prejuízos, a praça foi demolida no segundo semestre de 1898.
A 4 de Maio de 1902 foi inaugurada uma praça de ouros no termino da Rua da Alegria, junto à rua do Lima, a qual se manteve em actividade por poucos anos. Já a 19 de Abril de 1920 inaugurou-se uma outra praça, na Areosa, a qual veio a ser destruída por um incêndio em 1926. Na mesma época (1920), parece que se estaria a construir uma praça, no Bessa, à Boavista, mas não existe registo se alguma vez foi concluída.
Finalmente, o último espectáculo de toureio realizado na cidade ocorreu em Julho de 1970, em pleno Pavilhão de Desporto (Palácio de Cristal) mas que foi um insucesso tremendo, fosse pela alegada fraca lide realizada, fosse sobretudo pela paupérrima adesão de público, a qual Horácio Marçal atribuiu apenas ao elevado custo dos bilhetes de ingresso….
O certo é que as praças de toiros, ao contrário do sucedido em outras localidades, nunca vingaram na cidade do Porto. Seja devido a má gestão empresarial, seja, (quiçá a razão principal), por manifesta ausência de adesão e gosto popular por tal tipo de espectáculo, os certamente poucos portuenses adeptos da tauromaquia teriam de se contentar em assistir a touradas quando se deslocavam à cidade capital ou nas localidades de veraneio do norte (Espinho, Póvoa de Varzim e Viana do Castelo) onde, mercê essencialmente dos fluxos turísticos, subsistiram até recentemente praças de toureio.