Fábrica de Estamparia Beira alta

Na rua Dr. Alberto Macedo
Anúncio in «Annuario do Porto», de 1935.

Vista do local em 2008 (via Google Maps). 
Entretanto, edifícios já derrubados para construção de urbanização.
(via Bing Maps 3D)
(via Bing Maps 3D)
Anúncios

O 376 de Cedofeita: fonte, colégio, pensão e malhas.


Na rua de Cedofeita, mesmo em frente à rua da Torrinha está ainda hoje prédio onde existiu uma fonte pública, conhecida por «Fonte da Rua de Cedofeita». Tal fonte foi construída em 1826 a pedido de José Ribeiro Braga, então proprietário de vastos terrenos naquela zona e por onde passava aqueduto com águas dos mananciais de Paranhos e Salgueiros. Essa fonte acabou por ser incorporada, mantendo a sua utilização, num prédio que, desde 1855, albergou a escola «Von Hafe Schule», digna antecessora do actual Colégio Alemão, fundada pelo padre Martin Richter e que em 18 de Novembro de 1901 se muda para o nº410 da Rua da Restauração, passando a designar-se por «Deutsche Schule zu Porto».

Provavelmente pouco depois dessa data, instala-se no edifício um estabelecimento hoteleiro com o apropriado nome de Pension La Fontaine. Durante algumas décadas esteve em funcionamento, não se sabendo quando dali foi retirada a fonte, embora provavelmente quando encerrada a pensão e feitas obras para adaptação a loja comercial no piso inferior, sendo o espaço da fonte ocupado com a montra de loja. O prédio encontra-se abandonado e para venda, funcionando no piso térreo loja de representação de produtos para tricot da marca «Brancal».
Fotografias:
1) Fonte de Cedofeita, actualmente nos Jardins do SMAS
Fonte da imagem

2) Pension La Fontaine

3) Na actualidade































Adenda:
Segundo o leitor António Coutinho Coelho: «foi a sede da JUC (Juventude Universitária Católica) dotada de salas de reuniões (1º andar) e dum Lar de estudantes (no 2º, 3º e 4º). Penso que foi o Cónego Dr. Joaquim Manuel Valente, professor do Seminário da Sé, e assistente da JUC, quem angariou esta sede e lar. Não sei exactamente em que ano, mas sei que em 1955, a JUC já estava neste local. Aqui ficou até pelo menos ao 25 de Abril, sendo assistente o Padre Dr. Manuel Correia Fernandes (actual director do Semanário Voz Portucalense).

A instalação da Filial do Banco de Lisboa no Porto

Convento de S. Domingos
(Convento de Nossa Senhora dos Fiéis de Deus do Porto, 1238-1832),
visto do Largo de S. Domingos.
in «Edifícios do Porto em 1833», Álbum de desenhos de Joaquim Cardoso Vitória Vilanova,
Ed. Biblioteca Municipal do Porto, 1987;

«Com efeito, já no relatório da sua gerência sugeria aquela Direcção a utilidade que teria «o estabelecimento duma Caixa Filial no Porto», aludindo às informações recebidas, a tal respeito, «do seu empregado», isto é, de Joaquim Pereira Pinto, e apresentando mesmo um projecto de Regulamento onde se estabelecia o quadro do pessoal e suas obrigações, bem como a natureza dos negócios , que eram análogos aos da sede.
A Assembleia Geral aprovou essa proposta em 26 de Janeiro; a Direcção de 1825 deu-lhe andamento, e logo nos primeiros dias da segunda quinzena de Fevereiro, Joaquim Pereira Pinto, que andava em busca de casa onde pudesse instalar-se a Filial, tendo já visitado várias, dava favoravelmente notícia de «um quarto de casas no Convento de S. Domingos», que descobrira.
Passados dias, o parecer da Direcção oscilava entre essa instalação e a que poderia fazer-se na casa do fidalgo portuense José de Sousa e Melo, motivo por que recomendava, em 2 de Março, àquele seu emissário que examinasse também esta e soubesse condições, dizendo-lhe com argúcia que, visto ser oferente o proprietário, alegasse «ter outras casas já em palavra» para obter o mais baixo preço; dias depois, já a Direcção estava de posse de todos os elementos de apreciação, tanto os relativos à vantagem de localização como os de ordem financeira e podia formar o seu juízo: a casa de José de Sousa e Melo era espaçosa, porém menos central que o convento de S. Domingos; ambas essas possíveis instalações careciam de obras, mais dispendiosas quanto a este, de modo, que bem feitas as contas, o quantitativo da renda pedida pelos Dominicanos «unido com o capital despendido na obra e seu juro e amortização», perfazia um total equivalente à renda pedida pelo fidalgo. Mas este queria também o pagamento adiantado das rendas de 9 anos, e isto era de considerar, de modo que a Direcção acabou por incumbir ao seu emissário a tarefa de procurar obter de uma parte e da outra abaixamento da renda e de Sousa e Melo a desistência de um tão longo pagamento adiantado, «fazendo a cada um o jogo necessário para que abaixem»; além disso deveria apurar também com o maior cuidado qual o custo das obras necessárias, num e noutro caso, a fim de poder a Direcção decidir-se por uma destas duas possíveis instalações, e dar-se «princípio a este tão decantado negócio». Chegaram pouco depois as informações pedidas, e, como os frades tinham baixado a renda, a Direcção optou pelo aluguer da parte conventual visitada, ordenando em 26 de Março a celebração do contrato de arrendamento e enviando em 2 de Abril a necessária procuração.

Entretanto também a preparação administrativa da filial tivera começo. O Governo sancionara a deliberação da Assembleia Geral, expedindo em 16 de Março o alvará de aprovação da Filial, e no começo de Maio já o lugar de Tesoureiro do projectado estabelecimento estava prometido ao emissário Joaquim Pereira Pinto, embora a nomeação só viesse a efectivar-se oficialmente em 3 de Junho, conjuntamente com a dos três Administradores, do Guarda-Livros, de três Caixeiros, de dois Fiéis, do Cobrador, de dois Contínuos e do porteiro.

A Direcção tinha em mente realizar a abertura da Filial em 1 de Julho; e nesse sentido, repetidamente ordenou que se activassem as obras de adaptação da parte do convento de S. Domingos que alugara. Nos princípios de Julho, já os Administradores da Filial se achavam no Porto e realizavam algumas operações; (…)».

in História do Banco de Portugal (1821-1846), Damião Peres, 1971, Lisboa

Nota: A este Banco de Lisboa veio a suceder, por fusão com outras instituições, o Banco de Portugal, o qual, em 1865, adquiriu em hasta pública todo o edifício sobrevivente do antigo Convento de São Domingos, virado para o Largo do mesmo nome, ali funcionando aquele estabelecimento bancário até 1934 (perfazendo um total de 109 anos), quando então se mudou para as actuais instalações na Praça da Liberdade.